O maior espetáculo da Terra!(?)

Por Raull Santiago


Não bastassem todas as mortes e extrema violência que vivemos nas favelas em 2015, desde o dia 1 de janeiro de 2016, até hoje, próximo a Março, continuamos vivendo a mesma situação.

A falência da UPP não foi declarada, assim como nenhum outro método menos letal de atuação foi anunciado, o resumo de políticas públicas para a favela nesse ano que passou, foram as guerras. Governantes olharam para as favelas através da mira de um fuzil da polícia. Pior, recentemente foi anunciado mais um treinamento de policiais de UPP com o BOPE, força de guerra que mudou a cor do uniforme, mas continua sendo simbolo do terror, os caveiras.

Acredito que seja comum a todos o conhecimento de que o tráfico nas favelas, fica dentro das favelas, ou seja, se existem armas, se existem drogas, se existe essa situação, é porque tudo chegou dentro das mesmas, foi feito um percurso desde as plantações de coca e maconha fora do país, até o armamento, vindos também de fábricas de fora. Tudo chegou dentro do morro, a maioria das vezes, pela própria corrupção de agentes públicos.

Não vejo treinamentos do BOPE ou qualquer outra força especial, para proteger de forma eficaz as fronteiras, ou operações nas áreas nobres do país, onde moram os empresários, os verdadeiros mafiosos das drogas e das armas, sócios, donos dessas empresas, plantações e refinarias.

A maioria das pessoas que viu um CAVEIRÃO no RJ, não sendo elas do morro, tiveram contato com o carro blindado de guerra que a polícia usa em território nacional , mais precisamente nas favelas, apenas no 7 de Setembro, em desfiles na Presidente Vargas.

Tiram fotos e sorriem ao lado do veículo da morte, onde dentro de cada um deles, diversas pessoas entraram vivas e saíram mortas das formas mais perversas possíveis, e isso vai além do tiro. Sabe como é o slogan deles, né? Faca na caveira!

É fácil olhar para a favela através da mira da arma do policial e das lentes das emissoras que quando não estão no entorno do morro, entram na favela atrás da arma da PM e, dizer que ali está o problema . Afinal,  é nesses locais onde moram as pessoas humildes e onde vivem o povo preto desse estado e país, que de tão racista, o censo comum de quem não mora aqui é que essas mortes fazem parte do processo e são validadas diariamente, aplaudidas, através de notas desta mesma polícia, desta mesma secretaria de segurança e de apresentadorxs de telejornais que incentivam os assassinatos dentro das favelas em suas falas, AO VIVO.

Nas falas desses mesmos governantes, apresentadorxs de telejornais e de muitos(as) empresários(as), fizemos mais uma vez o réveillon mais bonito do mundo (?) e faremos a super Olimpíada, onde as evoluções do mosquito transmissor da dengue saíram em disparada, no que diz respeito a corrida pela saúde. Ou seja, como na copa, os gringos curtem e nós pagamos a conta, muitas vezes com a vida.

Nos discursos ouvimos dizer que as festas e grandes eventos irão gerar milhões de reais em recurso para a cidade, mas que nunca vemos esses investimentos de fato.

É como as ilusões desse museu do amanhã, que nos coloca de frente para o mar e de costas para a cidade, a ponto de estar zombando de todos com pão e circo. Que amanhã é esse, se beirando o museu, a sujeira na água da Baía mostra a realidade?

Voltando ao caveirão, eu não sei quantos que estão lendo esse texto já foram ou são de uma favela, mas por aqui, as casas são humildes, muitas das paredes são apenas de tijolo e um tiro de fuzil de alto calibre, facilmente atravessa diversas dessas paredes, não apenas, mas também diversos corpos. NÃO EXISTE BALA PERDIDA NA FAVELA.

Vivemos o 2016, Rio Olímpico, festa para alguns, esculacho, sofrimento e violência para muitos.  Como é possível algumas pessoas terem a cara de pau de abrir a boca para cuspir tantas asneiras, dizendo que é preciso investir em treinamento de guerra e aumento do número de armamento bélico para solucionar a questão do tráfico? Seria mais sincero falar que a ideia é a contenção da camada popular, para que estes nem cheguem perto dos mega eventos para o povo da gringolândia. Nada contra, mas…

UPP é essa contenção da camada pobre, é a ditadura em espaços específicos, é colocar para mediar um conflito, aqueles que estão envolvidos com o mesmo até o pescoço.

E esse caos de contenção através da força armada não está apenas nas favelas, mas nas ruas, com as proibições de haver protestos/manifestações nos jogos olímpicos… oi?

Cabe a nós MORADORxS DAS FAVELAS estarmos UNIDxS e também todxs aquelxs que não aceitam essa situação caótica e covarde.  Precisamos dar as mãos e como uma avalanche parar a cidade, exigindo que se comece a discutir a pauta da DESCRIMINALIZAÇÃO DAS DROGAS, por exemplo. Afinal, a GUERRA as DROGAS mata muito mais do que o uso dessas substâncias e também mostrar que para se construir um futuro menos violento,  que isso só irá acontecer à médio/longo prazo,  priorizando saúde, educação, direitos básicos, respeito a diversidade, a luta pela igualdade de gênero, o combate ao racismo e aos preconceitos diversos.

Lastimável se aproximar do terceiro mês do ano, com a notícia de tantas mortes violentas no Rio de Janeiro, a maioria delas provocadas pelo conflito de seres humanos.

AS FAVELAS DEVEM ESTAR UNIDAS, para nossa sobrevivência.

Em um estado onde os governantes priorizam mega eventos, enquanto fecham hospitais e escolas, cabe ao povo lutar pelo que realmente é importante.

NÓSporNÓS!

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