Jeep Tour não é visto com bons olhos por moradores de favela

Por Lana de Souza, para a disciplina Técnicas de reportagem, ministrada pelo professor Luciano Zarur, na unidade Méier da FACHA (Faculdades integradas Hélio Alonso)


Segundo moradores de favelas do Rio de Janeiro, a presença do jeep tour faz com que eles se sintam como animais de zoológicos, sendo constantemente fotografados de forma invasiva. Alguns deles, atuantes como guias locais, afirmam existir maneiras mais harmônicas de o visitante se relacionar com a favela.

Thiago Firmino, morador do Santa Marta, tornou-se guia na favela e afirma “O Jeep tour entrou na favela Santa Marta sem uso de um guia local, sem respeitar os moradores, fotografando desenfreadamente. Não contam a verdadeira história da favela e chegam a mesma somente para a exploração sem se preocupar com o impacto que eles causam.”

Inspirado pela entrevista que Arnaldo Bloch fez com a professora Bárbara Nascimento para o jornal O Globo, em janeiro deste ano, Marcelo Mirisola, que é escritor e dramaturgo, escreveu artigo para o portal Yahoo Notícias, em que afirma que esse tipo de passeio é pior que safári.

“Nem os arrastões nas praias, muito menos os nós na Avenida Brasil. Nada, nenhuma desgraça carioca, se compara a selvageria dos Jeeps que sobem os morros apinhados de turistas armados com suas câmeras à caça de estereótipos. Pior do que safári. O nome disso não é turismo, é algo – pensando bem – que ultrapassa a selvageria, o nome disso é humilhação”, conta Mirisola.

Para Mariluce Mariá, artista plástica que mora no Conjunto de favelas do Alemão, é importante trocar conhecimento com os turistas que chegam. “O meu marido Cleber é quem vende as peças que eu crio. Organizávamos um passeio que a gente chamava de turismo de experiência pois as pessoas passavam a saber de verdade como é o nosso dia a dia. Eles saiam super satisfeitos”, explica a artista plástica.

Indagado sobre a maneira ideal de realizar turismo na favela, Thiago finaliza de forma objetiva: “O ideal é fazer um tour respeitoso. Que possa gerar renda local. Que seja acompanhado por um guia local que possa contar a verdadeira história da favela, desmistificando e tentando mudar o estereótipo do qual é taxado o morador de favela.”

Em texto disponibilizado no site jeeptour.com.br, a empresa informa que com o passeio realizado por eles, é possível obter um choque cultural. A empresa afirma ainda que a favela é um lugar com uma diversidade muito grande quando o assunto é sobrevivência, onde é natural que todos estampem um sorriso no rosto, mesmo com as dificuldades do cotidiano.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Lucia Judice disse:

    Uma coisa legal: quem quebrou este esquema do Jeep foi Thiago Firmino. A primeira favela a ir a todos os hotéis e postos de turismo contar o que estava acontecendo e começar com a prática de turismo feita diretamente entre eles e os moradores do Santa Marta.

    Curtir

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