Um ano, que parece muitos mais

Por Raull Santiago


Quando o muleque, a menina, pula da barriga da mãe de favela, nasce ali um guerreiro.

Quem nasce ou vive na favela, é militante por natureza, porque aqui ou você aprende a sobreviver, ou não dará conta de seguir perante as circunstâncias historicamente criadas para o não avanço dos que são filhos da mãe favela.

Cada ser humano tem uma história, um acúmulo de bagagem que vai influenciando a cada segundo as suas atitudes, o seu caminhar. Alguns destes, criam em torno de sim uma área onde dentro dela estão esposa, filhos, familiares e amigos… Outros, criam em torno de si uma área que para além destes, há espaço para muitos mais, inclusive para aqueles que não se conhece.

Um ativista, um militante, um louco… Não importa o nome. Você pode concordar ou discordar deles, a única coisa que você não consegue fazer é ignorá-los, pois eles provocam, trazem questionamentos, reflexões e muitas vezes o avanço.
No caminhar singular observamos a nós mesmos em silêncio, pois é nele onde mais e melhor se diz, então nos conhecemos, nos entendemos, percebemos a importância do que se faz, e é aí, a cada novo saber que o fardo vai se tornando cada vez mais pesado.cpr

É então que lembramos da história de um homem, que mesmo muitos acreditando ou não nele, tem uma mensagem incrível de que o avanço é construído por muitos braços, em coletividade, seu nome: Jesus. Mesmo sendo ele quem era, não andou só, sabia que em coletivo, muito mais poderia fazer, mais longe alcançariam suas ações.

Essa é a importância de um coletivo, ele mostra que sozinho você é capaz, mas que em coletividade você não apenas é quase imbatível, mas você constrói laços que o ser humano precisa para sobreviver: Amizade, carinho, respeito, companheirismo, briguinhas de vez em quando, alegria, tristeza e principalmente AMOR COLETIVO. A junção de amores por um local, um povo, uma causa, onde através dele se faz surgir do concreto a rosa perfumada, se faz brotar esperança, perseverança… Faz renascer o ACREDITAR.

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Hoje faz um ano que seguimos acreditando. Seguimos um pelo outro na utopia conjunta de querer conhecer o que é a tal PAZ, em uma favela que chora e sangra tanto e todos os dias. PAZ ainda não encontramos, mas basta olhar como mesmo dentro da dor, esse povo daqui todos os dias levanta, agradece esse novo dia e segue na luta da sobrevivência enquanto constrói seus sonhos;

Ananda Trajano, Carlos Coutinho, Lana de Souza, Raphael Calazans, Raull Santiago, Renata Trajano e Thainã de Medeiros seguem em conjunto, a cada dia encontrando um no outro a força para seguir acreditando e participando da transformação positiva.

Betinho Casas Novas, Alex Leko, passaram por essa família, deixaram suas marcas, fizeram história, plantaram sementes que irão germinar por toda eternidade enquanto o pensamento permitir. A vocês, agradecemos.

Charli (Piu Piu), a gringa que somou de forma grandiosa com o coletivo enquanto esteve no Brasil e ainda fortalece muito do outro lado do mundo. A você, nós agradecemos.

Aos MORADORES que são o retorno de que os passos dados, mesmo em meio a dificuldade, estão seguindo na direção correta. Estamos juntos, senhoras e senhores, no alegria e na dor, no choro e no sorriso. A vocês, agradecemos.

É satisfatório poder agradecer a vocês que estão em meio a nós, aos que apoiam, aos que já passaram pelo coletivo… Porém, além das vidas diárias que perdemos nesse extermínio da juventude da favela, há uma pessoa em especial que já não podemos agradecer olho no olho, pois esta não está mais entre nós.

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GUINHA, com você aprendemos muito! Tantas vezes conseguia nos fazer sorrir, mesmo quando a situação era de extremo caos! Quantas vezes cuidou de nós com tanto carinho ou nos presenteou com seu dom incrível de fazer pratos deliciosos! Quantas vezes enxergou além do que o agora, com uma inteligência excepcional e um querer incrível de ver as coisas darem certo… Você faz falta, amigo. A você, AGRADECEMOS MUITO, eternamente.

Coletivo Papo Reto;
Um ano, que parece muitos mais.

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